Pacientes do SUS denunciam pressão para pagar por cirurgias no RS; médicos diziam que eles podiam morrer

  • 27/07/2026
(Foto: Reprodução)
Pacientes do SUS eram cobrados por cirurgias no RS; médicos diziam que eles podiam morrer Dois médicos e uma secretária são investigados por suspeita de pressionar pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) a pagarem por procedimentos em Crissiumal, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Segundo as investigações, os profissionais convenciam as vítimas de que as cirurgias eram urgentes. Familiares relatam ter ouvido que elas poderiam morrer se não fizessem o procedimento. Um dos investigados é o médico Edmundo Berni Reátegui. Um familiar conta que ele exigiu R$ 8 mil durante um exame de colonoscopia feito pelo SUS. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "Ele disse que tinha algo mais, parecia um caroço, mas não disse o que era. Disse que aquilo podia trancar o intestino e que ela poderia até morrer" diz. O médico afirmou que seria necessário um segundo procedimento, mas que era preciso pagar para que ele fosse realizado. "E, se eu não tirar hoje, ele disse: 'Não tem como tirar mais. Só abrindo a barriga dela de novo e tudo'. Daí eu disse: 'Não, se tem que tirar, vamos tirar então, né?'. Daí eu pedi o preço: 'Então, quanto que era?'. Daí ele me pediu 8 mil, né", completa. Outra paciente relatou ter passado pela mesma situação com o profissional. "O doutor. Daí ele disse que eu tinha que fazer urgente, porque a minha vida estava em risco, né. Tinha que fazer urgente", afirma. A Polícia Civil de Crissiumal investigou os casos e encaminhou os primeiros cinco inquéritos ao Judiciário em março. Após a divulgação das investigações, novas vítimas registraram boletim de ocorrência. "Várias pessoas nos procuraram depois dos primeiros casos e elas nem imaginavam que tinham sido vítimas de um crime", explica o delegado William Garcez. O Ministério Público (MP) analisou os inquéritos e apresentou denúncia contra Edmundo Reátegui. A Justiça determinou medidas cautelares. O promotor de Justiça Ronaldo Arbo confirmou as determinações, que incluíam afastamento das atividades e monitoramento eletrônico. Uma liminar em um habeas corpus movido pela defesa do médico, no entanto, revogou o uso da tornozeleira eletrônica. Ele segue impedido de atender pelo SUS. Edmundo Reátegui já responde a um processo judicial na Comarca de Encantado, na região dos Vales, pelo mesmo tipo de denúncia. Ele foi condenado pelo crime de concussão, que é o ato de exigir vantagem indevida. A defesa ingressou com recurso no Tribunal de Justiça do Estado. A secretária da clínica também foi denunciada pelo MP por envolvimento nos fatos. Segundo a apuração, ela auxiliava na pressão psicológica contra pacientes e familiares. "O que foi apurado dessa própria situação de constranger os pacientes naquela situação de fragilidade de aceitar a imediata realização do serviço de forma particular", explica o promotor. Uma paciente foi convencida pela funcionária a realizar a cirurgia na clínica, de forma particular, em vez de utilizar o sistema público. "Eu fui chamada pelo SUS. Teria a minha consulta um dia antes da cirurgia marcada particular, então poderia ter sido feita pelo SUS.” Um familiar de um paciente relembra a abordagem da secretária. "'Ah, porque vocês tinham que fazer, porque se fosse meu filho eu faria logo, porque como vocês já perderam um parente da família, isso é uma coisa que a gente não espera, por que isso pode virar um câncer' e não sei o que, 'e dinheiro a gente recupera'", destaca. Com o avanço das investigações, um segundo médico, identificado como Lucas Dickel Canova, foi indiciado pela Polícia Civil por suspeita de cometer as mesmas irregularidades. "Quando a pessoa vinha pra realizar aquele procedimento, eles criavam um cenário de urgência, inventavam uma suposta urgência e que deveria ser feita uma cirurgia de urgência para daí sim cobrar o valor", detalha o delegado Garcez. Um paciente atendido por Lucas Canova recebeu o diagnóstico de urgência, mas não cedeu à pressão. Ele voltou ao posto de saúde, pediu para fazer o exame em outro local e foi surpreendido com um laudo diferente. "Pela colocação dele, teria que ser mais rápido, né, urgente. Até ele me falou: 'Aproximadamente 30 dias você tem que tirar'. Mas aí ele disse que, pra tirar isso, teria um custo", comenta. "E aí a médica que fez o exame para mim acabou me dizendo que não havia necessidade", completa. O advogado dos médicos afirmou que ainda não teve acesso total às denúncias contra Edmundo e aos inquéritos contra Lucas. A defesa alega que as condutas dos profissionais são legítimas e que eles não cometeram irregularidades. A secretária da clínica não tem advogado constituído e não foi localizada para comentar o caso. Médicos são investigados por cobrar por cirurgias de pacientes do SUS Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/07/27/medicos-investigados-cobranca-cirurgias-sus-crissiumal.ghtml


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